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TÍTULO DA PESQUISA

POLÍTICAS DE CURRÍCULO E ALFABETIZAÇÃO: NEGOCIAÇÕES PARA ALÉM DE UM PACTO.

PERÍODO:

2015 - 2018

LINHA DE PESQUISA

Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura

GRUPO(S) DE PESQUISA

Currículo, formação e educação em direitos humanos

FINANCIAMENTO(S)

FAPERJ - Jovem Cientista do Nosso Estado 2016-2019 UERJ/IC 2016-2018 UERJ - Prociencia - 2015-2018

Esse estudo se desdobra de uma trajetória de pesquisa que tem se dedicado a investigar o processo de produção da política curricular a partir das tensões/negociações entre as demandas locais, próprias de cada escola e as questões globais – da rede municipal de Educação do Rio de Janeiro. Observou-se movimento que tem tido força nas decisões/ações nesse contexto:- o envolvimento com Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa - PNAIC. Argumento que essa política de formação se dá também como política curricular uma vez que tem, numa articulação muito própria, cria demandas para produção curricular cotidiana nos anos iniciais do ensino fundamental. Assim, o foco do estudo é a análise do PNAIC não como política de formação de professores apenas, mas também como estratégia de produção curricular. Põem-se em destaque as imbricações entre formação de professores e políticas curriculares, temática que se apresenta como atrelada, mas muitas vezes em relações casuísticas. Argumenta-se que o deslocamento/deslizamento de significantes como formação, currículo, qualidade, direito e conhecimento se articulam na produção de um discurso que significa o investimento na formação de professores como instituintes de políticas curriculares. Sendo assim, com base nas teorizações de Laclau, Derrida e Bhabha, se propõe a investigação acerca da produtividade dessa articulações, defendendo que essas se constituem na ambivalência discursiva que torna o político possível. Para tanto, se opta como estratégia metodológica a análise dos documentos do Pacto (proposta, cadernos de formação, etc) e entrevistas com os sujeitos envolvidos (coordenadores, professores, orientadores), a partir das ações desenvolvidas no Estado do Rio de Janeiro à luz dos referenciais citados, ou seja, numa perspectiva discursiva. Busca-se discutir como uma concepção de currículo vai se desdobrando das premissas defendidas pelo Pacto: se observa a ênfase numa dimensão que valoriza a organização e planejamento do conhecimento e ensino. Ao problematizar a ideia dessa centralidade, argumenta-se que se incorre no risco de polarizações que esvaziam a tarefa política de recuperar outros sentidos possíveis para o fazer curricular, defendendo a necessidade de pensa-lo como entre-lugar de enunciação cultural. Esse estudo, portanto, se insere nos debates sobre o estabelecimento de base comum nacional curricular, no caso em foco, o delineamento de um currículo nacional para a alfabetização, a partir da injunção de significantes que a pesquisa se propõe analisar e que se articulam com questões mais amplas postas nessa discussão e que tem como ponto comum a articulação entre qualidade e direito, significada a partir da ideia de acesso ao conhecimento, assim a defesa que se desdobra desses documentos é do direito à aprendizagem. Os argumentos a serem desenvolvidos a partir dessa investigação se direcionam a problematizar esse sentido a partir da defesa de outro direito: o direito à formação.

    

TÍTULO DA PESQUISA

Múltiplos contextos de produção curricular em suas conexões, conflitos e ações: em foco as instâncias de mediação da rede Municipal de Educação do Rio de Janeiro

PERÍODO:

2012 - 2015

LINHA DE PESQUISA

Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura

GRUPO(S) DE PESQUISA

Currículo, formação e educação em direitos humanos

FINANCIAMENTO(S)

FAPERJ - Jovem Cientista do Nosso Estado - 2012-2015 CNPq - Ciências Humanas e Sociais - 2012-2014 UERJ - Prociencia - 2012-2015 UERJ/IC - 2013-2015 FAPERJ/IC - 2014

Esse estudo, desdobramento/deslizamento da pesquisa Múltiplos contextos de produção curricular: conexões, conflitos e ações da Multieducação no cotidiano escolar (FAPERJ, CNPQ 2010), objetiva analisar, no processo de produção cíclica da política curricular (Ball, 1992), a micropolítica da escola na tensão/negociação com as instâncias de mediação propostas pela SME/RJ – as coordenações (no caso da escola, na figura do coordenador pedagógico e no caso da rede, as coordenadorias regionais). Assenta-se na compreensão do currículo como articulação/produção de significados, destacando sua dimensão discursiva. Analisar as forças que engendram as disputas de sentidos e as estratégias criadas para manutenção de um dado sentido se configura como mote para essa pesquisa. Assim, assume-se como conceito de partida para análise da política curricular a noção dessa política como texto e discurso e a não polarização entre política e prática. Ao privilegiar as instâncias de mediação – as coordenações – se discute, com base em Ball (1992, 1998), os ajustes secundários nas tentativas de fixação de sentidos das políticas e os movimentos incitados pela disputa desses. Esse projeto apóia-se na perspectiva de Ernesto Laclau (1998) quando esse defende que as políticas são produções político-discursivas, cuja matriz é a contingência. A discussão sobre ciclo contínuo de políticas de Stephen Ball se sustenta do ponto de vista metodológico pela preocupação central do autor com a recontextualização e a produção de novos sentidos nas políticas que ocorre nas escolas. O entendimento de políticas de currículo como produção político-discursiva reforça o argumento de que são a partir das negociações e disputas que os sentidos e interesses se hibridizam na formulação curricular, evidenciando sua condição de processo político inacabado. É no ato de negociar que significados são construídos dialogicamente, muitas vezes construídos com base em consensos conflituosos, uma vez que os sentidos são instáveis, fluidos e permeados por demandas e interesses distintos e nesse caso, a ênfase dada às instâncias de mediação se dá porque dessas, em sua origem (criação/atribuição de funções), se definirem como sujeito/local da negociação. Para tanto, a pesquisa vale-se também dos estudos de Bhabha (2003) para articulação da noção de hibridização e negociação com que argüimos as políticas/práticas curriculares analisadas: que negociações e hibridizações se produzem nos conflitos, conexões e ações da política curricular do município do Rio de Janeiro? Assim, com base na articulação dos estudos de Laclau, Bhabha e Ball objetiva-se entender a micropolítica desse processo, nas enunciações curriculares entre/das coordenadorias, coordenadores pedagógicos com professores/ escolas da rede municipal de Educação. Este estudo desenvolvido no âmbito do GRPESQ “Currículo, Formação e Educação em direitos humanos (Proped/FEBF -UERJ)” se articula, pela partilha de referenciais teórico-metodológicos, com as ações desenvolvidas no GRPESQ “Currículo, cultura e Diferença” (Proped/UERJ), focalizando na análise das articulações, negociações dos múltiplos contextos de produção curricular no município do Rio de Janeiro, possibilidades onde podemos tecer coletivamente experiências curriculares inspiradas numa democracia agonística.