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TÍTULO DA PESQUISA

ESTÉTICAS MARGINALIZADAS: JOVENS EM DESCOLONIZAÇÃO ÉTICAESTÉTICA.

PERÍODO:

2017 - 2020

LINHA DE PESQUISA

Cotidianos, Redes Educativas e Processos Culturais

GRUPO(S) DE PESQUISA

FINANCIAMENTO(S)

Assumindo a dimensão estética como condição humana, o que pressupõe portanto uma expansão do conceito de estética, grosso modo deslocando-o de sua aderência “fria” exclusiva às obras de arte, a uma concepção etimológica e “quente” do termo grego aisthesis, este projeto, em companhia de Nietzsche, Foucault e Maffesoli, entende a vida, a subjetividade, como lugar de artistagem, aproximando portanto ética e estética. Se, então, a dimensão estética é essa que inclui as sensações, as emoções, os jeitos, os gestos, o corpo como (in)acabamento de fruição, permeável aos afetos, sendo o ser humano, nas palavras de Fanon, “um SIM vibrando com”, é justamente nela que algo de incontrolável, algo de indeterminado, segue agindo a despeito dos “fins objetivantes”, como disse Lacan, de nossa “consciente” autorização. Trata-se então de algo que mesmo sendo nós mesmos, difere de nós, ameaçando portanto o monopólio da razão instrumental individual que concebeu o sujeito moderno ensimesmado, para o qual quanto maior o esclarecimento, mais próximo ele estaria de um total domínio sobre si e o mundo, sendo então a ameaça de um possível pluralismo dinâmico naquilo que parece ser incontrolável, um fantasma a ser esconjurado. Nesse sentido, o conceito de Diferença em Deleuze, Guattari e Derrida, os estudos da presença, da subjetividade e seus cruzamentos entre a linguagem e a psicanálise, especialmente em Gumbrecht, Blanchot, Barthes, Lacan, Freud, Jung e Fanon, assim como as contribuições da antropologia na radicalização da crise epistemológica moderna, sobretudo os estudos ameríndios em Viveiros de Castro e Pierre Clastres, nos interessam primordialmente. Apostamos, então, no campo da estética como lugar que, por guardar incompatibilidades ao racionalismo ocidental moderno, guarda também indícios eloquentes do que de nós fora descartado na consolidação desse império. Em todo caso, mesmo com esse espectro teórico que nos inscreve em um campo alargado, politicamente privilegiamos pesquisas de campo que tenham como interesse experiências estéticas daqueles humanos menos adequados, “outsiders”, de currículo esquizo, sem carreira e sem conforto, loucos, molecada correria do “fundão” da sala-de-aula, justamente sob os quais pesa a identidade antagônica de serem os que servirão de figura comparativa negativa, “servem para nada”, “vagabundos”, “pestes”, destinados ao “fracasso” existencial e também escolar. Como esses experienciam e dão contornos a tal demanda, a tal drama de paradoxalmente serem encaixados em categorias fixas negativas, mas feito “NÃOs” afirmativos se comportarem como refluxos de uma imanência indomesticada, contrapontos da estabilidade? Formular respostas a essa pergunta é nosso objetivo principal, enquanto que a percepção de que se trata de um universo onde destinatários das imagens e valores negativos à sociedade, mesmo assim inventam e enunciam linguagens outras, é nossa principal justificativa. Quê linguagens, quê estéticas, quê ethos se vive enquanto manejos possíveis numa subjetividade que opera nesse cruzamento irresoluto de ser afixado em um “NÃO” afirmativamente dinâmico dentro de um regime imobilizante? A despeito, então, da negligência, marginalização e desqualificação das quais são geralmente alvos, acreditamos que nestes cotidianos está em constante e dramática modelagem uma série de formas de resistência, de reinvenção descolonial, de conhecimento e mesmo de sofisticação conceitual.